Escritas

O inverno e a tempestade

RafaelCastro

Faz tempos de um dia em que na neve me perdi

com o coração da montanha e o frio como companhia

Foi aí entre pinheiros queas tuas sardas vi

Dançavas selvagem com aleveza da neve

e eu aproximei-me,nervoso, seguro de que eras magia,

seguro de que um suspiro te levaria em breve.

Mas eras veradeira e com olhos de cristal,

que pude ver quando os olhares se cruzaram

ficámos estáticos numa linguagem transcendental,

e foi aí que conheci a beleza do teu Inverno

nos olhos de um animal que os Deuses marcaram,

aí ficámos congelados por um silêncio eterno.

Larguei a arma, a roupa e por fim larguei-me a mim

Nu, renasci perante ti sem sonhar que sequer morri.
Tu avançaste lentamente e a minha testa tocaste

e ainda no silêncio eterno os meus lábios beijaste.

Aí ficamos congelados porum tempo incerto

na floresta, no silêncio,esperando a explosão

de um futuro que se tinha aberto

do qual haviamos sido ignição

e do frio viria a última revolução.