O rio Douro na sua foz
Quis sentir no corpo o poder das brisas edas marés,
embarquei nas asas do sonho
e tropecei na foz do Douro
eram cerca das 14:15
dum qualquer dia de verão
O vento tocando as águas
refreia a vontade do rio entrar no mar
parece que vai recuando
sem a certeza do seu beijo
ter tocado as águas verdes e salgadas
Parei nesta avenida da Foz
poiso de quem quer não sentir, não pensar
olho as pessoas passeando, a pé, debicicleta
deixando o corpo voar
esentir esta maresia
que sempre nos desflora
trazendo nosso destino no vento
Nesta beira rio
aproveito o silêncio das águas calmas ebrilhantes
uma estátua ao fundo
deasas recolhidas
me faz sentir porque não levantamos voo
quando a dor nos abraça
Os barcos estão refugiados noutro cais
do outro lado do rio
e sigo a marcha cadenciada de alguém
que passa por mim
em direcção à foz
até que não a consigo enxergar
Os minutos passam
espero uma chamada
que me acorde para a realidade
e desbloqueie os sentidos
Aqui faz calor
as gaivotas pairam sem esforço sobre oleito do rio
e mo emprestam
gozo como se ele fosse só meu
e eu o tentasse agarrar
na vã ilusão de poder acolher os seusamores
as suas vidas desacompanhadas
e enviá-las com esperança até à foz
Paira uma sonolência
que me obriga a fechar os olhos
e a reviver o passado
sinto o corpo e a alma abertos
esperando que alguém me toque
e me faça sentir
acordando essa sensibilidade que nosimobiliza
A praia ali tão perto
e eu imóvel
sem conseguir lá chegar
é o vento que não me deixa entrar no teumar
e me devolve ao rio
nas ondas serenas e doces
das suas marés adormecidas
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