Se o dia começasse...
Se o dia começasse a uma hora
da madrugada eu me acertaria
Com seus ponteiros na mesma noite
que iniciaria as treze horas
Meus dias começam sempre as seis
Os seus... As dezoito em ponto
Já mudei o meu relógio
Que se segura no prego
Que olho sem pregar os olhos
por sono que nunca atrasa
Nem muito me adianta
O tempo e as horas
tentei enganar...
Manipulando toda a maquinaria
o que me deu...
um trabalhão danado
fiz os ponteiros
girarem em sentido
ante horário
Mudei também a posição
dos 12 números
Mas confesso isso falhou
E me senti um fiasco
mas com o tempo...
Passou
Não há meio de fazer
o dia se esticar
sem que a noite
o invada de escuro
e me cegue ao avistar
que o tempo é de não ver
Por isso talvez
inventaram o acender
das luzes artificiais
Parece que não sou só
neste intento de burlar
a noite transformando-a em dia
Tenho como quase certo
que viver é uma grande
ilusão de ótica
e é isso que nos cansa
Que nos prega uma
peça que sempre termina
por cansaço de lutar contra o tempo
e a noite
que entra sempre no meio
embriagados
ausentes
por sobre a cama
qual nada existente
sem hora
nem vida aparente
desistimos de lutar
por cansaço de brigar...
contra as noites
que sempre vencem
nos embrulhando
de tão ladina que ela é
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