Desertar
instável o meu momento
segure-me pela mão
não faça mais nada
nem ao menos fale
só quero sentir meu corpo
preciso da sua presença
e que estes olhos me vejam
não sei se estou só...
nem sei se estou mesmo aqui
é tão real o etéreo
tão surreal me imagino
que tenho o tamanho
que penso
mas não me diga nada
nem mesmo uma só palavra
apenas olhe para mim
sem julgar
minhas medidas ou
se estou proporcional
o grande
o enorme...
não é do lado de fora
é dentro desta minha cabeça
imagino que aconteça
com todo mundo
até com você
tem hora que fico só lá
mas quero também estar aqui
como agora
Sou do tamanho do mundo
tem hora
com um corpo cheio de mim
que é levíssimo quando pesado
e penso aventar de vez
de quando em quando
prá lá e prá cá
balançando
com qualquer sopro assoprado
imagina um espirro bem dado
me pegando de supetão?
corro riscos
você nem imagina...
não largue a minha mão
me amarra...
me agarra...
tenho medo...
dos pé de vento
não consigo virar
cata-vento
Tenho só hoje
o que agora sinto
ontem já não tive mais
tem hora que me confundo
por não saber onde me encontro
com minha cabeça no vácuo
que é lá
bem lá afora
do corpo fechado por dentro
estou como que
presa... Prensada
no espaço de um tempo
sem saber dos contra-tempos
nem que compasso seguir
tem sempre um atravessando
porque não ir mais adiante
do ré ou sigo em frente?
Enfrento muitos dilemas
não sei... quais notas tocar
do ré... mi... fa
vou parar
algo mi fará chorar
melhor eu sair daqui
Para onde?
Lá perto do SOL
junto DO LÁ do SI
Bem ao lado logo ali
bem depois... Depois
Mais a sua esquerda
A direita de onde estive
um pouco antes
sabe ali?
Isso é bem LÀ mesmo
já fui por ali e me encontrei
um dia
nem sei o que fazia eu...
LÁ
se vou de novo...
outra vez?
vou... Posso ir
com o tempo seco irei
com chuva...
Aí já não sei se iria
difícil dizer ao certo
Mas não é um talvez
maior que cem mais cem
prefiro bom tempo sim
você também?
Eu sabia!
Mas vou
com algumas
restrições e
já nem sei mais em que dia
mas sei que faz muito tempo
quero saber não agora
depois...
e você?
onde você ficaria
se depois de agora
fosse só amanhã?
quem saberá dizer-me
te dirá um dia
mas me ouça com todas as letras
que virão a ser infalíveis
inteligíveis de tão bem codificadas
leia em particular
e eu te verei e chegarei
junto com você ao fim do
invisível poema mas...
parto logo em seguida
a qualquer momento da hora
quem sabe...
seria melhor agora ou
melhor seria
as quatorze e meia?
de antes de ontem
Segura a minha mão vai
me olha e não me larga
tenho medo de cair no vão
sem chão
do mundo que me gerou
a partir de coisa alguma
bem assim do nada
segura-me
me abraça
preciso sentir-me aqui
me solte com muito vagar
mas só quando
eu dormir que é bem depois de agora
e envolta por cobertas de lã
com fios tramados a mão
tecidos para todo o sempre
você saberá quando é
o determinado momento
exato
a hora sempre chega
sem atraso
bem devagar
quase nada
quase nunca
quando menos se espera
é hora
que espaciou fingindo que não viria
e pronto pousou
aqui bem no centro dentro
como é grande este lugar algum
de mim mesma
é bem aqui onde estou
neste ponto do tempo
e tão ermo
que deserto imenso
comigo ao centro
será que fico ou
deserto?
Parece...
Que não acabo!
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