TRANSITO
Fernando Cartago
Infernal dilema das grandes metrópoles.
Quando se está a mercê de um congestionamento e você tem a urgente necessidade de chegar ao destino desejado no horário marcado.
Claro que é o mínimo que uma pessoa responsável deve desejar.
E ai você tem a deliciosa experiência de vivenciar dois trânsitos, o externo e o interno.
No externo é a mesma coisa de sempre, barulho, fechadas, palavrões etc... O interno que é o barato da coisa, no seu organismo tudo fica mais acelerado, os pensamentos, o coração, sua transpiração.
Menos o bendito carro!!!
E quando você olha meio sem querer, e percebe gotinhas lindas, vindas lá do céu, em uma situação mais relaxada, você até pensaria, que maravilha, chuva que Deus manda.
Mas o momento é bem delicado, por que você esta parada numa fila quilométrica. E logo pensa no seu superior direto, abrindo a maquininha de falar no seu ouvido, claro que com toda razão.
Então você tenta relaxar mais uma vez, por que tem certeza que o chefe vai compreender, afinal trafegar em São Paulo é um verdadeiro pânico.
Mas você escuta aquela voz lá dentro, bem baixinha, martelar na sua cabeça.
Sem chance pra você camaradinha, esqueceu que é figurinha carimbada.
E sem querer olha para o relógio, os ponteiros saltam-lhe aos olhos, informando que já se passaram meia hora do horário programado.
Pronto!!! Você fica novamente em duplo trânsito e ai logo vem a vontade, de chorar, gritar, espernear então você pensa: Deixa de frescura meu, não vai adiantar.
O horário passa, o dia passa, a boiada passa, a chuva passa, até a uva passa. Só não passa este monstruoso trânsito.
É assim que muitas vezes nós simples mortais, vivemos nesta cidade de muitos compromissos e longas filas de carros congestionados.
Bendito trânsito nosso de cada dia!!!!!!
(Fernando Cartago)
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