CENTRO DA CIDADE
Domingo, o centro da cidade é vazio.
O vazio do centro é o centro dovazio
Vê-se pouco; veem-se os loucos.
Seus gestos inelegíveis
Seus jeitos desconcertantes
Trejeitos indescritíveis
Ruídos e ronronares
Ressoar de letras perdidas
Perdidos num só desmedido
Engolindo a saudade de um ontem
Sem precisão desse quando
Sem quando ser compreendido
Vagando na dor do destino
Destinado ao centro vazio
No vazio que lhe foi destinado.
Aos que não sabem dos loucos
Por medo, ignorância ou descaso.
Saibam que os loucos do centro
Com suas frases sem nexo
Estão conectados ao centro
Como eu e você, do universo.
Universalmente ligados
Nessa viagem inconstante
Como qualquer ser errante
Feito manada de gado.
Jose Raymundo Xavier
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