Escritas

Entre cordas, vinho e pés

Luciana Pinto
Às vezes fica só vício
O velho
e a preguiça do novo

E quando o novo lhe acha, qual seu vício
A música e outras coisas

Silêncio, olhos baixos
Um que de sedução

um abraço antigo
Um encontro novo
Ou seria o contrário

Lhe droga a poesia dos olhos baixos
Olhos transeuntes
entre cordas de violão e dedos dos pés
De quais pés
Ainda não sei
Timidez boa por dentro

Do velho, só o vício
vício que como a chuva molha o giz que riscou o asfalto
Apaga tudo

Do novo a preguiça do velho
e o vinho recém aberto
dormente frio na geladeira
Será

Gosto mais das novas rolhas na cristaleira
E me prazenta o olhar cabisbaixo
entre as cordas de um vilão
os meus e os seus pés