Da colina ao campanário
Na paisagem, da colina ao campanário,
tudo crio na usina do imaginário.
No anonimato de toda a Terra,
trago nomes novos para cada pedra.
Ainda quando desterrado Ícaro,
há saltos que me alçam do vale ao pico.
Em travessia, a esmo, sem archote,
do rastro do vento, aponto o norte.
Exilado em atacamas e saaras,
carrego serenos e chuvas na mala.
Ainda que escuro os olhos e a razão,
tenho as luzes armazenadas no porão.
Oferto o buquê e conduzo o andor,
mesmo sem qualquer santo ou flor.
Posto em profundo mar,
ainda sei como respirar.
Atido em casa, vaso adormecido,
viajar posso pelo vasto desconhecido.
Mesmo na noite desolada de querubins,
germino o dia que se abre no jasmim.
Destes ofícios
eu bem os sei.
Disto se dá,
que da vida posso lapidar
o viver,
mesmo sem qualquer vida
ter.
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