Canto Com CorPo
Luís F. Simões
hoje esse canto
não me traz o brilho anunciado
hoje os pássaros que silvam
não me calam o silêncio...
afasto-me
nos segundos em que repouso
num corpo inundado de insónias
estranho à lucidez
devoro o imaginário
desço ao limite da imensidão
no vagar que se desmorona
batem-me à porta dizendo:
tinha um corpo
que evocava instante a instante
a beleza incerta por desvendar
tinha um corpo
que se derretia
no enorme engano que é o teu desejo
frenético
tracei um caminho ocasional
no qual prossigo por dentro
hoje
pernoito comigo mesmo
num contínuo alucinar murmurante
hoje
sempre que posso saio
para ter o prazer de voltar
porque hoje, tenho um corpo
cuja forma é disforme
por entre nocturnos dispersos,
tenho um corpo
um precipício
uma euforia imensurável
um vocabulário por descodificar
não me traz o brilho anunciado
hoje os pássaros que silvam
não me calam o silêncio...
afasto-me
nos segundos em que repouso
num corpo inundado de insónias
estranho à lucidez
devoro o imaginário
desço ao limite da imensidão
no vagar que se desmorona
batem-me à porta dizendo:
tinha um corpo
que evocava instante a instante
a beleza incerta por desvendar
tinha um corpo
que se derretia
no enorme engano que é o teu desejo
frenético
tracei um caminho ocasional
no qual prossigo por dentro
hoje
pernoito comigo mesmo
num contínuo alucinar murmurante
hoje
sempre que posso saio
para ter o prazer de voltar
porque hoje, tenho um corpo
cuja forma é disforme
por entre nocturnos dispersos,
tenho um corpo
um precipício
uma euforia imensurável
um vocabulário por descodificar
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