Descontinuando o tempo, inutilizando vida
Danilo de Jesus
Eu sempre espero qualquer coisa da vida. Tal intento é útil, mas o problema é que sou perfeitamente inútil. Todas as coisas são, para qualquer um — Eu é que nada sou! Que veio comigo, deleitada na alma, essa designação.
Antes fora um sublime e triste, descartava as dores que tinha para ser maior do que eu (fora um Cezar naquela necessidade !); hoje sou um triste sublime, a doença cresceu por dentro e abduziu-me; sofro de um sofrimento opaco, de uma tristeza neutra que dói com uma ferida curada.
Ainda não me encontrei, estou perdido na vida! Escrevo para que um dia me recorde que, mesmo sem boca, gritei. Fora isso, sigo descontinuando o tempo e inutilizando vida!
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