Sós.
Já nem o Sol me aquece mais
Nestes dias quentes de verão
Pudesse eu ter, ao menos, a certeza de que o coração
Não vai perguntar por ti, vendavais
De revolta, amor, tristeza
Não vás tu ter pena de mim, que a ti já nada te pesa
O meu coração está na lápide, pela segunda vez
Tiros que o despedaçam, palavras que lhe atiras
Mas nem isso; tu não vês
Que tudo isto não teria sido em vão, nada do que fiz aparenta
Que te quisesse como quero
Que te venerasse como venero
Que mudasses meu mundo, de cinzento para magenta
Cor do amor, cor de sangue, cor de paixão
Paixão que dizias haver, até que tudo o que fizeste me fez sofrer
Não sei, nem estava escrito, pois não acredito
Que a vida nos marque antes de sermos nós a marcá-la
Profunda, serena, traiçoeira...
Como uma bala que nos passa da mais brilhante maneira
Que nos raspa de raspão, que nos arde com emoção
Que sentimos e está lá, mais profundo do que parece.
Porque a dor só nós sentimos.
Sós. Abandonados.
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