Escritas

Sós.

Patricia Correia

Já nem o Sol me aquece mais

Nestes dias quentes de verão

Pudesse eu ter, ao menos, a certeza de que o coração


Não vai perguntar por ti, vendavais

De revolta, amor, tristeza

Não vás tu ter pena de mim, que a ti já nada te pesa


O meu coração está na lápide, pela segunda vez

Tiros que o despedaçam, palavras que lhe atiras

Mas nem isso; tu não vês


Que tudo isto não teria sido em vão, nada do que fiz aparenta

Que te quisesse como quero

Que te venerasse como venero

Que mudasses meu mundo, de cinzento para magenta


Cor do amor, cor de sangue, cor de paixão

Paixão que dizias haver, até que tudo o que fizeste me fez sofrer


Não sei, nem estava escrito, pois não acredito

Que a vida nos marque antes de sermos nós a marcá-la

Profunda, serena, traiçoeira...

Como uma bala que nos passa da mais brilhante maneira

Que nos raspa de raspão, que nos arde com emoção

Que sentimos e está lá, mais profundo do que parece.

Porque a dor só nós sentimos.


Sós. Abandonados.