Não se esqueça
Rubens Rodrigo
Navegante do tempo
Sozinho nessa imensidão
Achando que sua efemeridade
é de certa forma importante
como se uma folha
trazida pelo vento
pudesse mudar o mar
Como se fosse capaz de o subjugar
Resiste a tormenta
A tempestade
Querendo cravar sua bandeira
Em solo nunca conquistado
Enfrenta o mar bravio
Por breves momentos é vencedor
Se acha, arrogante,
O senhor da eternidade
Não se dá conta
Que por mais que faça
O que se aproxima
É a decadência de sua embarcação
Tantas desventuras
Fizeram-na envelhecer
E como todas as outras
Sentindo o frio toque das ondas
Pouco a pouco tomando conta
Ela irá afundar
E com agonia
Você será engolido
Nestas profundas águas
Afogado
Seu último suspiro
E tudo mais
São parte do passado
São parte do mar
Você não será lembrado
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