Escritas

Versos de concreto

Wagner Andriote

Da pena que escreve,

A amargura.

Lágrimas furtivas.

Olhos acabrunhados.

Almas sem afeto.

Cobiça que almeja o infinito

Da boca que grita.

A voz do faminto.

Filhos da miséria.

A frieza dos

Transeuntes apressados

Coaduna-se com os movimentos

Cálidos e cruentos da metrópole.

Há indiferença nos céus,

E os pássaros fugiram da fumaça.

No asfalto, máquinas ensandecidas.

Pelas ruas, putas, lixo, desespero,

Íncolas do chão.

Joias, luxo, ganância, soberba, ambição,

Símios do concreto em busca de ilusão.

Não sei se estão às avessas

Ou se é meu desatino

Que vai e vem na contramão.

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