Escritas

Voltei

Manito O Nato
Voltei, eu ser daninho, ao inóspito meio
Fui sem receio, abjeto, nele aceito,
Sedento renovar-me à fonte anseio,
Eu, juiz e réu; presa, inquisidor e suspeito
Depondo o fardo a fadiga e a cobiça.

Atado ao meio pelo meio fui ficando
Nos braços traiçoeiros do sucesso
Deus possesso não me arguo até quando
Suportarei ao triste e irracional progresso,
Me atolando no pró-seco e na carniça...

Da água pura dia a dia me despeço;
No ar que trago só inspiro pó daninho;
Justo o repouso do silencio não mereço;
Abate-me o alimento me perde o vinho;
Cobre meu ninho o negro manto da injustiça.

Voltei, eu ser enfermo, ao nascedouro
Abjeta, vim a rogo revogar-me a tirania
Ávido em restaurar a um ser vindouro
O céu azul, a água límpida e alva a poesia
E alforriado não morrer em falsa liça.
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Comentários (2)

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mafalda
mafalda
2024-03-22

gosto muiiitooooo

Lucas
Lucas
2022-03-25

Poemas do meu tempo. Poemas de intervencao que apreciei. Grande poeta Manuel Alegre