Ser ou não Ser
Inquietudeque me tormentas,
Diae noite, de manhã, à noitinha,
Sobo peso da consciência lamentas,
Invocaram-menuma ladainha.
Almaenclausurada e escondida,
Commedo da luz das trevas,
Insultada,ultrajada e perdida,
Diluiu-senuma aurora em névoa.
Fuià sua procura um dia,
Demoreitempos afim, uma vida,
Procureiem vales onde me perdia,
Só,chorei a perda sofrida.
Deixaste-mepara sempre só,
Nãolevaste contigo o pensar,
Elevai-me consumir até ser pó,
Pensamentoso Fim hão-de lembrar.
Acambalear o caminho prossigo,
Nãosei o destino, ao que vou,
Imploreiao vento um abrigo,
Sussurroue as folhas com ele levou.
Continuoa minha busca incessante,
Subomontes, procuro-te no céu,
Ospassos conduzem-me avante,
Ovento cessou, só a chuva permaneceu.
Ocorpo envelheceu devagar,
Cobertode sofrimento atroz,
Cansadode tanto procurar,
Ousouum dia ser um albatroz.
Parapoder voar sobre o Mar,
Vaguearpor entre as nuvens,
Eternamentesustentado pelo ar,
Apeleià Lua por ti, mas não vens.
Porfim o pavio esfumou-se,
Porfim o trilho esgotou-se,
Porfim a alma esgueirou-se,
Porfim a resposta materializou-se.
Afinala Alma era Eu próprio,
Finalera Eu a sombra existencial,
Afinalera Eu poeira sideral,
AfinalDeus era Eu próprio.
LX, 7-9-2001
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