Quadras finais
Manito O Nato
O verbo em mim se esvai isso é verdade,
Desfalecido na fuligem do meu peito.
Engano ter-me crido um alvo eleito,
Sirênico sonho, ser do estro a raridade
Lança aguda - fere e fende a sanidade -
A vaidade, sutil madrinha do imperfeito,
Risonha e fácil insinuou-se em meu leito,
Vestal profana, por progênie a veleidade.
Esvai-se o vento e sem rumo meu adejo
Por sol esvoaça, adentra a noite, ao relento
E as certezas, a segurança e até o talento,
Já distantes, apagam os rastros de sobejo
O silencio que me veste o verbo inteiro,
Vem sem rosto, vem sem vulto e sem matiz
Do fracasso é talho vivo e é cicatriz
È a tristeza a libertar-me em seu viveiro
Porque dessa liberdade ser posseiro?
Pra que asas, quero longas, sem ter céu?
Silencia-se a ópera bufa ao meu te-déum;
Secam-se me as folhas, reaparece o canteiro!
Desfalecido na fuligem do meu peito.
Engano ter-me crido um alvo eleito,
Sirênico sonho, ser do estro a raridade
Lança aguda - fere e fende a sanidade -
A vaidade, sutil madrinha do imperfeito,
Risonha e fácil insinuou-se em meu leito,
Vestal profana, por progênie a veleidade.
Esvai-se o vento e sem rumo meu adejo
Por sol esvoaça, adentra a noite, ao relento
E as certezas, a segurança e até o talento,
Já distantes, apagam os rastros de sobejo
O silencio que me veste o verbo inteiro,
Vem sem rosto, vem sem vulto e sem matiz
Do fracasso é talho vivo e é cicatriz
È a tristeza a libertar-me em seu viveiro
Porque dessa liberdade ser posseiro?
Pra que asas, quero longas, sem ter céu?
Silencia-se a ópera bufa ao meu te-déum;
Secam-se me as folhas, reaparece o canteiro!
Português
English
Español