Escritas

A bela da tarde

pepperlegal

A bela da tarde

Do começo já era curiosidade,

mas como transgredir as condutas

para ter com elas mais prazer?

Cresceu por entre flores transformadas

e viu tudo que queria ser visto,
seu presente são seus sorrisos

providenciais, anima as rodas.
É carinhosa e fugaz, gosta

do contato humano bem quente.

O vento infla, lufa os cabelos
e faz crescer os dos pés

o anoitecer nu arrebol exótico.

A nuvem é uma franja da lua
descuidada, se perdeu na noite

os olhos vacilantes e a cabeça a mil.

Ao banquete o olhar sereno aumenta

com as feições alegres relaxando
a retaguarda de quem é a massa
frente a frente ombro a ombro.

O aniversário da boda da amizade

não deixa nenhum bode atrapalhar

nem ressaca nem o mau-humor,
só fica difícil traduzir o sentimento

de quem vive a vida inteira

junta do porta-retrato do amor

esperando o encontro inesquecível.

Perante o afã do primeiro toque
o olhar foi a última gota
a gotejar e persiste olho a olho
se for mesmo por vontade
última a primeira flor do campo.

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