Escritas

Estações

Gisele Leite
Quando as palavras faltam...

Sobram as reticências



Quando os ventos

faltam

Sobra um imenso horizonte

Uma nesga de sol a refletir

o final da tarde



Quando os homens faltam,

Sobram desertos quentes ou gelados



Inóspitos,

Repletos de vidas mortas

ou moribundas



Quando as

palavras falham

Os sentidos completam e

Furtam dos gestos a vontade



De ser sutil.



Quando os segredos se esgotam

Os mistérios das mil veredas

Abertas ao mundo,

Abertas nas veias

Abertas em feridas



Esgotadas as lágrimas

Ainda restam as dores



E como posso parar,



Parar,

Estancar o que nem sabe sangrar



Quando as flores murcham



num última primavera

quando as folhas vagam

num último outono



Quando os amores falham

num último verão.



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