Anseios Pueris
Paulo Jorge LG
Anseio tanto as tuas cartas ao fim do dia,
Que para mim são autênticas cartas de alforria.
Anseio tanto viver plenamente este amor que sinto,
Pois foi o único que me fez verdadeiramente sofrer.
Anseio tanto esta saudade que me avassala por inteiro,
A saudade do amor da minha melhor amiga que me cativa.
Anseio tanto contemplar-te que te procuro sem cessar em qualquer lado,
Procuro-te nas faces das mulheres com que me cruzo na rua.
E assim acho as mulheres agora sempre mais formosas e bonitas.
Anseio ser o meu amor platónico muito perceptível,
Mas não escondo o que de tão belo me fez parecer.
Anseio pelas lágrimas derramadas deste amor sofrido,
Por isso tenho a certeza e sinto que é real e verdadeiro.
Anseio pelos meus poemas de amor parecerem ridículos e patéticos,
Mas não seriam realmente poemas de amor se não fossem risíveis e tolos.
Anseio tanto este amor anacrónico e intemporal gratuito,
Que se possa desfazer algum dia futuro ingloriamente.
Anseio tanto ouvir-te a voz talvez calma e serena,
Num chamamento hipnótico para só a ti te amar.
Ansiei tanto um encontro mágico de amor trágico,
Que agora compreendo o longo tempo esperado.
Ansiei tanto este meu amor incondicional por tanto tempo,
Que mesmo não correspondido ele continuará sempre meu,
E irá comigo para todo o lado e até ao meu derradeiro suspiro.
Anseio tanto este amor não palpável e inverosímil,
Porque no fundo sei que são essas as premissas,
Para que ele possa existir como se fosse milagre.
Anseio tanto amar-te em demasia e em contra senso,
Mas tinha o coração repleto de amor para oferecer,
Acumulado de muitos e longos anos de tanta asfixia.
Anseio pelas tuas palavras doces e ternurentas,
Fiz delas a fonte inspirada da minha vã utopia.
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