Estradas
A ponte que termina no infinito
Às vezes balança de cá pra lá sobre o rio
De águas caudalosas então ela se ajoelha
E liga para Deus
E fala, Deus, eu não sei se você está ocupado agora, se estiver deixe na secretária
Eletrônica, mas não deixe de me atender daqui a pouco por favor
E então ela se sente mais forte e vai fazer um café
Muitos anos, muitas estradas, quase sempre sozinha, sempre com Deus
As coisas podem ficar estranhas às vezes, mas ela nunca deixa de perder o otimismo
Por que, como dizem, felicidade é uma escolha
E ela já passou por umas bem ruins e ainda está de pé, e agora acha que sabe driblar a
dor
E uma garoa cai lá fora agora e as coisas parecem estar melhores e assim como a dor
chegou sem avisar a alegria brota com igual sutileza
Não foi preciso um remédio, um copo de destilado para anestesiar o que só se adia
Antes era diferente, há muito tempo atrás a gente perdia a cabeça, mas agora, depois de
Muitas estradas
Um pouco de fé e um copo de café resolvem
Davi Isaque Jardim