Um Corpo Vazio.
IN MEMORIA MICHELINE FILHO
Cantava - cantava ...
olhando os suores
de uma nuvem com chuvas
refrescantes.
A cada passo que dava
rosnava ; meu peito
nas ruas como um
cão danado.
- enfiei a mão -
onde batia meu coração...arranquei-o
e no seu espaço um oco ficava.
E em ato contínuo retirava
o fígado ; abrindo um
espaço vazio: e
cantava - cantava -
olhando as chuvas vindas
dos céus tão refrescantes ;
nesta madrugada.
E no vazio desta noite
roncava os rins ; e neste
espaço aberto tirava meu
cérebro e o colocava
em um labirinto especial.
Cantava... ainda cantava ...
tirei os pulmões e
coloquei acima do meu fim.
Em último ato ...lavei minhas
mãos : e as levei a face e
arranquei meus olhos : e a dois
metros DE CASA >>
os coloquei<<
Mas o fim !!! - o fim não
chegou - e continuei a andar
e cantar>>> - cantava - cantava -
as flores que tinha plantados :
em meus imaginários jardins que
ali ainda estavam.
Ademir o poeta.
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