Quando a poesia sangra

A poesia sangra até depauperar a
semântica destes versos exangues
Consome-me a hemoglobina antes
que feneça o dia coagulado e anémico

Cada palavra pálida, esvai-se no estreito
plasmócito dos silêncios débeis e metastizados
Oxigena-me o vocabulário vadiando pelas artérias
da minha solidão proteica, esmaecida e infecciosa

Cada gota pincela o hematócrito rúbido onde desagua
a hiperplasia dos sentidos estimulados, tão abrasados
Desliza por um hemorrágico e fluidificante eco clonado
a esta pancitopenia gramatical, amniótica e tão umbilical

Frederico de Castro

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