Rio Tapajós

Se aproximam da Bacia do Rio Tapajós
Sirius, Canopus, Achernar, Rigel e Betelgeuse,
do jeito que o olhar alcança e as endeuse;
O rio é a orquestra a tocar,
Procyon, Capella, Alpha Centauri  e Acrux 
chegaram fascinantes para ficar.

Mimosa, Gacrux, Alnitak, Alnilam e Mintaka,
também vieram para acompanhar,
A Via Láctea com toda a potência 
não irá nesta travessia os deixar,
porque resistência não deve pedir 
licença por ser dignidade de existência. 

O Angelim-vermelho, a Sumaúma 
e toda a floresta pressente 
que a noite escura querem impôr;
Não há nada nesse mundo
que irá deter a caminhada 
porque existe o amor além do amor.

Tenho um pouco de todo o mundo
e de cada parte e do que há de mais 
profundo e da maravilha do Tapajós,
Querem deixar todos os que têm
raízes ali sem sementes e em nós.

Cada parte de mim não ficará a sós, 
sou Borari, Arapiun, Tupinambá, 
Tupaiú, Tapajó, Arara, Jaraqui, 
Maytapu, Munduruku, Cumaru,
Tapuia, Apiaká e Sateré-Mawé,
e sou todo o povo do Rio Tapajós
feito da liberdade que não se prende,
e nem se costura nem com retrós.

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