Começo
Caink
Havia gestos que lembravam um abrigo,
mas se desfaziam no exato instante de permanecer.
Faces que vinham cercados por uma luz inventada,
e eu... fingia não ver a sombra a lhes escurecer.
Entre presenças que escorriam como uma chuva,
nada do que toquei ficou por inteiro nenhuma vez.
Nomear cansa... e entender, ainda mais;
há dores que se escondem no que é rotineiro.
Importa? Nem o céu, que tudo sabe, me responde.
O que se quebra por dentro ninguém costuma notar.
E aquilo que ruge em mim não tem cor, nem eco:
apenas um fardo calado, muito difícil de suportar.
Minha mente é como um quarto tomado por ruínas,
onde memórias me falam e o tempo não ousa entrar.
Falam de mim — de algo que já não alcanço.
E se cuidar é urgente... por onde começar?
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