A Última Vez Que Te Vi
A última vez que te vi
não foi a última vez que senti amor,
mas aquele instante tinha uma luz
que nunca mais esqueci
um sentimento maior.
Estavas com um olhar cansado
e o corpo farto de lutar,
mas ainda assim havia ternura
no jeito de me olhar.
O tempo tinha deixado marcas
que nem o teu sorriso conseguia ocultar.
As mãos já não tinham a mesma força,
os passos eram mais lentos,
mas no teu peito morava a coragem de sempre.
De levantar mais um dia pelos teus
filhos e netos.
Havia uma dor silenciosa
que não precisava de nome,
uma batalha travada em segredo
entre o cansaço e o amor.
E mesmo assim…
quando me olhaste,
o mundo ficou leve.
Aquele olhar levou a dor de te ver partir lentamente.
Como se, naquele instante,
o amor tivesse sido maior que o medo,
maior que a despedida,
maior até que a própria morte.
O teu olhar… ah, mãe…
aquele olhar dizia tudo.
Não precisámos de palavras.
No silêncio,
ouvi o teu “vou amar-te para sempre”,
tão claro como um sussurro na alma,
tão aconchegante e quente
como o abraço de quem a gente ama.
Há sentimentos que não morrem,
apenas descansam no coração.
E o teu amor vive em mim todos os dias,
guiando-me,
segurando-me,
lembrando-me quem sou.
Amo-te, mãe…
até ao dia em que Deus permitir
que os nossos olhos se encontrem outra vez.
Até lá,
guardarei no peito
a memória da última vez que te vi.
Por: Sebastião Xirimbimbi
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