GRAVETOS

Paulo Sérgio Rosseto
Paulo Sérgio Rosseto
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            Paulo Sérgio Rosseto

Todo graveto é mudo de si
Mas caído sussurra ao vento
Coisas de raiz deslembrada

São versos soltos
Que o chão faz juntar
E o vento os ensina a voar sem asa

Enquanto dormem
Besouros e formigas descem para beber
Nas suas lascas e acham água

Até que alguém deduza que sujam a casa
E põe pra queimar esses ossos de árvores podadas
Retesos no sol fazendo sombra pro nada

Quando eu era menino eu juntava tudinho
Para encompridar meus sonhos
E depois descercar porteira de estrada

Um graveto só serve mesmo
Para inventar pontes 
Para os versos que componho
Ou fazer abrigo de passarinho

@psrosseto

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