PARTIR É PRECISO
Pedro Paiva
Partir é preciso, embora a dor resista,
como um nó que o tempo teima em apertar;
mas a vida, em seu sopro de artista,
molda asas para quem não sabe voar.
Se o adeus pesa além do que o peito aguenta
e o silêncio ecoa em cada despedida,
é porque a alma, mesmo quando dolente
vai construindo os degraus de íngreme subida.
Quem parte leva um pouco do que ama,
e deixa brasa acesa noutra chama,
como quem semeia luz ao se afastar.
E assim, no rito eterno das partidas,
descobre o coração, entre feridas,
que só parte quem nasceu para brilhar.
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