Círculo da Vingança

Alex aprendeu cedo
que o amor, quando ri,
pode ensinar o ódio a falar.

Um riso espalhado na rua
foi semente de guerra no peito,
e o coração, ferido,
fez da vingança um ofício.

Beijos viraram armas,
promessas, armadilhas,
e cada mulher amada
era apenas um espelho quebrado
do menino humilhado que ele foi.

Mas a dor não obedece limites:
escorre para os filhos,
gruda nas paredes da casa,
vira silêncio, medo, faca no peito,
vira herança maldita.

Helena cresceu onde o amor faltava,
aprendeu a odiar antes de sonhar,
carregou nos olhos o sangue da mãe
e no nome, a sombra do pai.

Quando o mundo lhe ensinou a ferir,
ela quase feriu.
Quando a vida lhe ensinou a perder,
ela quase se perdeu.

Mas o perdão, esse gesto impossível, nasceu onde a vingança cansou.

O abraço que não matou
foi mais cruel que qualquer lâmina:
fez Alex morrer por dentro
antes do último suspiro.

E assim o fim não foi justiça,
nem castigo,
nem glória.

Foi apenas silêncio.

Porque a vingança não salva ninguém,
mas o perdão, às vezes,
quebra o ciclo
e permite que a dor, enfim,
descanse.

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