Do Monte Caburaí ao Chuí

Sibilante mantra de quem me lê 
como se em mim não existisse 
nada mais além do que a repetição -
que torna indigna a poesia de fazer 
parte da viração dos círculos literários 
constantemente em desconstrução.

Em cavalgação do Monte Caburaí
ao Chuí minha é a preocupação
guardiã para que dos nossos pés 
a memória não seja alvo e caia
em esquecimento definitivo,
e se consolide o desaparecimento.

A volição é pura adustão infrene
por cortar e eliminar arestas 
que impedem que a gente pense,
porque se os olhos se não 
estiverem bem abertos podem
terminar de fazer a mudança 
da casa conosco dentro -
e, depois nos colocarem 
em destino incerto e não sabido.

O estupor diante da beleza absoluta 
não pode ser dado como perdido,
e nem mesmo aquilo que coloca 
em encantamento cada sentido,
assim como o Pau-Brasil que demarca
a realidade do nosso destino. 

O efervescente estado poético 
de maravilha como ato de gratidão à vida,
o ardor inefável pela terra e por todas 
as coisas bonitas que sentimos 
sem precisar da aprovação da academia
- é o que nos mantém - vivos.

Para do inefável nada nos escape,
o abissal insondável nos embale,
para que o vertiginoso não capture 
por nada quem fomos e quem somos;
assim para levar adiante quem seremos 
sem mendigar frágeis aprovações,
e estar na fronteira alheia das conotações.

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