Pajurás

Deixar que o tempo se encarregue 
da dissolução do que passa lá fora,
abrir o nosso espaço ao que atreve 
com aura ímpar, sensual e poderosa,
para dar o start infrene ao perene.

Que o gemido do vento na floresta 
inspire os nossos para que venha 
o melhor momento de palpitação,
para que cheguem em flutuação 
o deslumbramento e encantamento,
e sejam os combustíveis da paixão.

Deixar que a avidez branda cresça,
que o suor nos abasteça de espasmo
em espasmo em insídia contra tudo
o que diminui o nosso entusiasmo, 
para que a gente não perca o hábito 
de juntos buscar pajurás na ribeira. 

Para que por amor nos poupemos 
do torpor, veneno, sortilégio,
das más influências e das miragens
que distraiam o porto erótico e pleno,
e que impedem o descansar sereno.

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