Janjão

Negro, esguio, barbudo, 
aparentando ter uma idade avançada,
com o seu chapéu de palha trançada 
de maneira incomum e delicada, 
com suas roupas de algodão,
e com vários assuntos na ponta língua. 

Janjão caminhava muito o dia todo,
com o seu cajado e com um saco 
enorme nas costas repleto de soluções,
para todas as classes e estações:
Nunca o vi exaltado ou reclamando,
não havia quem não o saudasse,
e não adiantava nem mesmo 
oferecer caronas, pois rejeitava todas.

Acreditava que ficaria mal acostumado,
e dizia que se parasse de caminhar 
a morte o alcançaria muito mais rápido.

Até hoje não sei como levava 
o mundo nas costas o dia inteiro,
dentro daquele saco nada murchava,
o quê era de horta e as ervas medicinais
até pareciam colhidas na hora;
Sem contar os objetos de madeira 
pacientemente esculpidos
que mostrava todo orgulhoso.

Todos compravam com ele, 
o povo e os doutores 
que tinham os seus sítios,
e quem não pudesse pagar,
Ele dizia para pegar o quê 
quisesse sem se preocupar.

A sabedoria dele era sem falha,
parecia que Deus através 
dele quando conosco conversava.

Nós como crianças gostávamos 
de ir até ele para conversar,
para viver a aventura do caminho
que levava para a casa dele,
e que parecia mais um 
jardim botânico paralelo 
ao rio completamente cristalino, 
Tudo ali era plantado 
por ele e sem nenhum equívoco.

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