Escritas

Além do véu...

Carol Ortiz

Estou calada, 

não sinto nada

só uma dor que rasga a alma

por que

ninguém nunca acreditou?

por que

ninguém nunca me olhou?

não tive culpa de ser demais

não tive olhos pra ser a mais

não tive voz pra pedir

me segurem

me amparem

me ajudem a seguir

Matei sonhos

matei futuros

sou assassina de possibilidades

nunca quis isso

uma criança sem existir

Estou calada, 

não sinto nada

só uma dor que rasga a alma

por que

ninguém nunca acreditou?

por que

ninguém nunca me olhou?

respirar

me cuidar

olhar meus pequenos

e não machucar,

me ferir

sobreviver entre

escombros

assombrando meu eco

oco, seco,

nada real

despersonalizado

dessensibilizado

irreal

imoral

crescendo na dor

do abandono

agir

era a opção

para existir

sem pensar

pensar era muito

e o tempo

era de sobreviver

Estou calada, 

não sinto nada

só uma dor que rasga a alma

por que

ninguém nunca acreditou?

por que

ninguém nunca me olhou?

o mundo

ninguém nunca disse

ninguém nunca fez

ninguém me mostrou

ninguém me cuidou

aprendi só 

a vida como consegui

fiz meu melhor

e não morri

o que teria sido

 virou em “sobrevivi”

fracassos dos sonhos

fracassos das coisas

fracassos de estar entre os bons

sigo sozinha

porque assim

me vejo inteira

protegida

querida

apenas por mim

ninguém nunca sente

ninguém me entende

ninguém me cuida

ninguém me enxerga

existir

Estou calada, 

não sinto nada

só uma dor que rasga a alma

por que

ninguém nunca acreditou?

por que

ninguém nunca me olhou?

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Comentários (2)

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Carol Ortiz
Carol Ortiz
2025-11-18

Que lindo! Obrigada por entender que a poesia transforma a dor

ademir domingos zanotelli
ademir domingos zanotelli
2025-11-17

Minha Cara e querida poetisa.... Carol Ortiz - sempre acreditei no que em versos transforma suas dores - pois nunca ninguém acreditou? pois nenhuma pessoa te olhou.... teus laços com a tua vida - se tornaram uma coisa só . e sempre te olhei em suas escritas e me emocionei. parabéns pela belo véu que finalmente desapareceu ... pois continuas uma bela mulher poetisa.