Quando Deus e o Diabo Dançam
RutIria
Quando Deus e o Diabo Dançam
Entre Ásculo e o sal próprio à Taprobana,
Um corvo na penumbra que remonta
Ao lúgubre, insalubre da reponta,
Num tecto falso fiado a filigrana.
Volteia a valsa entre pírrica e cadmeana,
Como se em Lynch, a heurística desponta.
Na bandeja, a cabeça salda a conta
Que jamais La Palisse olvida ou sana.
Dança na iniquidade como afim
O "Ignoto Deo"* em abjurado desacerto
Voa entre Dagom e "The Waste Land"** passim,
Everte a fé em exício, arrepio incerto.
Freme a perplexidade: qual malsim,
O antitético almo é álgido deserto.
* GARRETT, Almeida "Folhas Caídas", 1853
** ELIOT, T. S. "The Waste Land", 1922
28/06/2020
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