CANSAÇO
Da pétrea indiferença deste século –
a suma afetação.
A racionalidade técnica, enfim,
resumiu-nos os sonhos.
A rarefeita e multidimensional comunicação,
via satélite,
permutou-nos os sentidos,
obliterou-nos a palavra.
O homem,
escamoteado em algoritmos,
constantemente enfadado de si, perdeu-se
através do esquizofrênico espelho desta interface vazia.
Em meio a tanto desperdício de humanidade,
poderia ainda haver lugar, em nossos distantes olhos,
para o pasmo essencial de Pessoa?
Ou será que das insígnias do cansaço,
preencher-se-ão, para sempre, nossos dias?
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