MELANCOLIA
Fiz-me poeta numa cidade que já não existe mais.
Por isso atravesso a oblíqua madrugada
verso adentro,
e traço na espiral do silêncio
diferentes caminhos de volta...
Por isso ignoro as luzes do poste,
e sinto na dureza mórbida do asfalto
a gélida dimensão do esquecimento.
Por isso acendo as estrelas,
por isso aqueço as esquinas.
Por isso
clarifico o instante desprendido do tempo,
e surjo dum largo ontem
por entre a espectral bruma
desta sempre jovem melancolia.
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