POEMA INDEFINIDO

Da onírica neblina desponta a fria manhã.
Vário é o dia; ainda assim, pipiras no céu 
tecem, nos meus olhos, ninhos de melancolia.

A tarde me exaspera como um rio de fogo imenso,
correndo com sua fúria pelos quatro cantos da terra,
para depois morrer seco no incontornável vazio de mim.

Quando a noite, por fim, vem,
tua negra ausência revela-se sobreposta 
à pálida luz da vazia sala de estar.

De repente, 
transparecem, neste tenro e triste espaço,  
certas formas elusivas, prescindidas lentamente,
do rígido silêncio dos inanimados objetos
e da etérea poeira de que se compõem as estrelas. 

65 Visualizações

Comentários (0)

Iniciar sessão para publicar um comentário.