O poema tardio
Nos meus arquivos, encontrei um poema.
Um que devia ter sido enviado,
devia ter sido lido,
devia ter sido sentido
faz tempo.
Um poema escrito com a ternura da alma e um profundo sentimento.
Julguei que o tempo me esperaria,
mas ele, impaciente, seguiu sem mim.
Prometi a mim mesmo: ‘Depois eu mando.’
E o depois virou nunca.
Hoje, reencontro essas palavras caladas,
e percebo que cheguei tarde;
não por falta de amor,
mas por excesso de espera.
Se o tivesses lido...
Talvez soubesses do silêncio que me pesava,
dos sorrisos que fingia,
dos dias em que quase escrevi teu nome
no lugar da minha assinatura.
Se o tivesses recebido...
Talvez me ouvisses sem precisar falar,
talvez descobrisses que entre uma vírgula e outra
eu dizia: ‘fica’.
E se eu tivesse enviado?..
Enfim, não enviei.
O poema ficou aqui,
preso entre a dúvida e o medo,
escondido entre os rascunhos que o coração esqueceu.
E eu segui.
Ou fingi que segui.
Porque há passos que se dão com os pés,
e outros com coração e fé.
Às vezes penso:
se tivesse enviado,
terias ficado?
Terias entendido as entrelinhas?
Ou lido apenas mais um poema inofensivo entre as linhas?
Hoje envio, mesmo tarde.
Não pra mudar o passado,
mas pra libertar o que ficou preso em mim.
Se chegar a ti, que seja leve.
Se não chegar, ao menos estarei leve.
Porque há palavras que não foram feitas pra serem lidas
foram feitas pra serem sentidas.
Por: Sebastião Xirimbimbi
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