A última dança
A janela estava entre-aberta,
por isso o vento, nada discreto,
cantava como quem sabe cantar.
E a cortina, quase liberta,
bailava como quem não soubesse parar,
coisa rara de se ver.
Parecia que me convidavam a dançar.
Eu, apunhalada pela tristeza,
fui, sem esperteza,
e aceitei dançar.
Mas ao tentar mover,
caí sem perceber,
num certo lugar,
onde já não se ouvia o vento a cantar
e nem se via as cortinas a dançar.
Já não tinham a quem seduzir.
Já não me podiam conduzir.
Naquele instante, o único som que pude ouvir
foi o eco distante
do grito da minha mãe.
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