banho de chuva
Hoje pela manhã, a chuva veio inesperadamente. As pessoas se protegiam com seus guarda-chuvas, enquanto outras buscavam abrigo, esperando ela passar para seguir seus destinos. Eu, como todos ali, fiz o mesmo.
A chuva caía, o céu estava nublado, o tempo ameno. Meus olhos fixaram-se em uma poça d'água, onde os pingos da chuva desenhavam círculos e folhas secas eram levadas pelo pequeno córrego que se formava no asfalto.
Meu corpo estava parado, tentando evitar os respingos debaixo de uma árvore, mas não adiantava. Os pingos da chuva me encontravam, enquanto minha atenção se voltava para as gotas que caíam do alto.
Sou sensível a tantas coisas nessa vida, e percebi que me proteger da chuva não faria diferença. Eu queria sentir a chuva, deixar as gotas geladas tocarem meu rosto, meu cabelo e meu corpo. Não me importei em adoecer. Era água vinda do céu, um presente.
Naquele momento, enquanto seguia meu caminho pela chuva, senti-me leve e grata. Como se, ao tomar banho na chuva, nossos problemas e defeitos fossem levados junto com aquelas folhas secas pelo córrego.
É pertencer à natureza e senti-la em sua forma mais pura. É perceber que Deus ainda não desistiu de nós. Pois onde há água, há vida. E onde há vida, há esperança para limparmos nossos erros.
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