transtorno

Quantas dores ainda hei de sentir, 
quantas lágrimas terei de derramar, 
até que este solo descompassado torne-se pó?

Desritmado, 
sem filtro,
sem vigor, 
coração introspectivo, 
falas sufocadas,
 passos rastejantes.

De um sorriso impostor, 
em pleno último século caótico, 
que caminha velozmente para o fim, 
ainda hei de sobreviver! Sobreviver! Sobreviver!

E ver: ver o mundo dissolver, o amor declinar, a vida tornar-se raridade, o mar:  caçamba de lixo.
No que piso, no que danço, no que habito, serão terra e mar extintos.
Único corpo a chorar, não será mais visto pelos amantes de seu brilho.
Jorrará apenas lava, no eterno labirinto dos tubos tingidos.
A gênese é datada, no meio nos ferimos, e no fim? Não existimos.

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