O RIO DE SILÊNCIOS QUE FIZ
Paulo Sérgio Rosseto
Esse rio é apenas fio de memória
Que escorre carregando ciscos
De histórias que escrevi
Supunha épocas lançadas em ventania
Palavras que o chão distante e generoso engoliu
Paisagens – planos sonhos imagens e mais
Me ponho aqui sentado despido
Onde o passado se confunde
Na cor que o sol desmantela em pedaços que nem quis
Essa correnteza de face molhada
Entremeia notícias de mapas relidos
Que mal cabem nos riscos das margens que fiz
Além dos mensageiros desse invisível
Com suas asas entrevendo no ar
Reluz o que as mãos não puderam segurar jamais
Persigo esse rio que consigo leva
Pedaços que eu nem saiba perdidos
Enquanto releio o que tanto silêncio diz
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Porto Seguro / Ba, 13/02/2025
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