SULCOS
Paulo Sérgio Rosseto
Há um solo que sangra sob os pés descalços
Rente aos homens de enxadas em riste
Porquanto o sol esturrica a lida
Não há pecado maior que o assédio do mato
Estirado viçoso nas eiras e leiras
Enquanto o ventre ronca e o céu testemunha
A terra clamar faminta pelo grão que inexiste
A terra preclara desdém daquele que a tem
Ela fala pelos dedos do errante que a teria
Na coragem do que traz consigo
Um fogo antigo de alma lavradia
Em plantar raízes em covas que não cabem
Entre a enxada o suor e as bênçãos da fartura
Ela anseia pelos profetas do chão
Que não escrevem nem leem entrelinhas
Mas abrem sulcos e louvam criador e criatura
Às margens da lavoura na utopia
Da colheita de um futuro que não vem
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Porto Seguro / Ba, 19/02/2025
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