Escritas

INSIGNIFICÂNCIAS

Paulo Sérgio Rosseto

 

Às vezes peso de tanto pensar
Como se carregasse uma folha seca nas costas

Um carrapicho atarracado na meia
Um rabugento besouro bêbado no colarinho
Uma semente tímida debaixo da pulseira


Algo que já não servisse para árvore nenhuma
Que o vento desocupado sem fazer-se incomodar
Me incumbisse sorrateiro
Os largassem distantes do habitat

 

Não questiono fragmentos nem ausências
É bom demover as coisas de lugar
Mesmo que o próprio vento as faça retornar

 

Eu carrego ideias sem precisar de nada
Só de insignificâncias


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Porto Seguro, 23/02/2025

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