Escritas

ONDE AS PALAVRAS SE CALAM

Paulo Sérgio Rosseto

 

Conheci alguém que descrevia olhares
Como quem pinta os dias claros
Com nuances de cores e lugares
Onde só os sonhos se guardam caros

 

Dizia-me que olhares podem levar-nos
A patamares tão íntimos

Onde as palavras se calam

Onde não se ouve a própria voz

 

Mas o mais belo dizia ela
É aquele olhar despido da súplica
Aquele que busca mas não revela
E aguarda distante o que se evidencia 


E por fazê-lo me ensinou cegamente a crer
Que nestes teus doces olhos abertos
Há um universo que se descerra fluido

E de tão longínquo e improvável – perto!



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Porto Seguro / Ba, 24/02/2025

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