Rio de estrelas
Instantes de eternidade dispersos no vento,
fragmentam-me a tênue noção de identidade.
Meus versos,
agora despidos da ironia de outrora,
delineiam sem medo do ridículo
a desmesura de toda esperança.
No breu da noite
tudo é revelação.
Meus olhos perplexos de juventude,
de repente, cerram-se em prontidão ao sublime,
e tudo que há pouco era realidade indubitável,
expressão talvez,
de sua mera aparição à minha subjetividade,
converte-se em objeto da mais rudimentar superstição.
O que me resta da noite
é este rio de estrelas,
este silêncio remontado de saudade,
este deslumbre frente à imensidão,
esta vontade incontida viver
para sempre ao lado teu.
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