Escritas

sempre

José de Paiva

sonhos, pesadelos ou quimeras
a alma inquieta e ferida
o caminho incerto e fraturado
a busca sem descanso ou paragens
a espera de uma estrela que ousasse
brilhar de mansinho no meu peito 
onde afinal não brotava a certeza 
de num velado percurso inóspito 
encontrar o abrigo tão almejado 
na palavra escrita por uma mão perdida  

o sossego de um retrato 
que Deus soprou perto da foz 
sentindo enfim na pele teu odor perfeito 
na sombra de um suspiro em abraço 
que de sopetão me atinge o ventre 
e me abre a folha de sala da vida 
percorrendo todo o espéctaculo de mar 
em ondas de futuro ansiado 
aí onde me reconheço em ti 
e onde a morte não faz morada 
por um cálido odor a firmamento 
que me assegura em toda a plenitude 
que afinal sempre te conheci 

2025.01.16