Escritas

Empty Pleasures

Aristides Jerónimo


As paredes segredam o frenesim
Naquele chão empalidecido pelo tempo e pela espera
Ela desce enamorando o chão
Avança pela sala, um leve sprint a cada degrau
Vem tal qual uma leoa
Vitimando o alvo com aquele olhar fulminante
E vem, deixando o seu perfume por cada canto
A cada toque, em tudo quanto toca
Ela trazia o paraíso no olhar
O céu naquele corpo quente
Trazia o inferno internamente,  e na sua mente
O prometidos beijos, arranhões e anseios
Daquele lazer privado há bastante
E com o alvo alcançado
As roupas há muito no chão, e de frente
A lua em segredo testemunha aquele deleite latente
E o fervor toma conta de tudo
As cavalgadas com ímpeto titânico
Invocam gritos turgescentes
E continuam, ziguezagueando os corpos, o ar aquece
E de quando em vez, entre gemidos
Seguem unidos da cabeça aos pés
Quebram as barreiras pela emoção
E com as notas no coração
Vão soltando desenfreadamente os desejos  selados em si
E repetem os mesmo gestos
Obedecendo os comandos do desejo
Aceleram e param a gosto
E, em tempos, desprendem orgasmos flatulentos e demorados
Naquele chão empalidecido pelo tempo e pela espera.

                                                      Jheronimus