Batom na Estátua da Justiça


Justiça cega, surda e muda,
Estátua fria de olhos vendados.
Uma mulher passa batom vermelho,
No corpo da que não fala, não grita, não morde.

Algemas tilintam, sirenes uivam,
Por um crime de cor e expressão.
Enquanto Corvos de toga,
Criam suas proprias leis em tribunais de ouro e marfim.

Batom vermelho, sangue dos inocentes,
Mancha a fachada imaculada do poder.
A balança se inclina, pesos falsificados,
Justiça maquiada de imparcialidade.

Fogos de artifício explodem no céu,
Celebrando uma farsa bem orquestrada.
Mídia grita "Bomba!" sensacionalista,
Verdade se perde em manchetes distorcidas.

No carnaval da democracia fantasiada,
Palhaços togados dançam uma ciranda macabra.
Batom na justiça, ruge nas bochechas do sistema,
Máscara que cai, revela face desfigurada.

Mulher-artista, criminosa da liberdade,
Presa por pintar a verdade em pedra fria.
Enquanto no palácio dos três poderes,
Vendem-se almas no leilão da moral
Pintando a bandeira Nacional
Com o vermelho dos que vomitam o mal.
Perdeu mané o novo hino do imoral.
 

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