Efervescência- Rósea
Contemplava, em êxtase onírico, o prelúdio aquoso,
Gotas diáfanas em coreografia gravitacional,
Precipitando-se do firmamento caliginoso,
Num ballet líquido, efêmero e magistral.
As rosas, em sua pulcritude rubescente,
Recebiam o ósculo pluvial com fervor,
Suas pétalas, numa metamorfose incandescente,
Transmutavam-se em caleidoscópios de cor.
Cada gota, um universo em miniatura,
Refratava a luz em espectros prismáticos,
Criando uma sinfonia visual de textura,
Em acordes cromáticos e aromáticos.
As rosas, antes estáticas em sua exuberância,
Agora dançavam em êxtase hidratado,
Suas corolas, num frenesi de fragrância,
Exalavam perfumes de um éden encantado.
O tempo, líquido em sua essência,
Fluía em câmera lenta, viscoso e etéreo,
Enquanto a realidade, em sua quintessência,
Desdobrava-se em camadas de mistério.
Neste momento de epifania pluviométrica,
Onde o mundano se torna transcendental,
A chuva e as rosas, numa fusão sinérgica,
Pintavam um quadro surreal e atemporal.
E eu, observadora e partícipe deste espetáculo,
Sentia-me dissolver na cena liquefeita,
Minha consciência, um receptáculo
Para esta visão sublime e perfeita.
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