Em busca de um amigo



Em uma cidade de milhões, busco apenas um,
Um amigo para colorir minha solidão de vinho tinto.
Alguém que entenda que cada garrafa aberta
É um portal para conversas sem fim.

Quero um ouvinte para minhas poesias desalinhadas,
Um coração que bata em versos livres como os meus.
Que encontre rimas onde só há caos,
E beleza nas entrelinhas do meu silêncio.

Procuro um astrônomo amador de alma,
Para mapear constelações em tetos de bares.
Que veja universos em gotas de vinho derramado,
E saiba que cada estrela cadente é um desejo compartilhado.

Desejo um parceiro para valsas improvisadas,
Quando a chuva transformar as ruas em rios de possibilidades.
Alguém que saiba que encharcado é apenas um estado de espírito,
E que a melhor música vem das gotas batendo em guarda-chuvas fechados.

Este amigo, ainda um rascunho do destino,
Já tem reservada uma taça ao meu lado.
Um espaço vazio em minha estante de memórias,
Esperando ser preenchido com risos e confidências sussurradas.

Enquanto espero, brindo com meu reflexo,
Recito versos para paredes atentas.
Danço solo em calçadas molhadas,
E nomeio estrelas com possíveis nomes de amigos.

Pois em algum lugar, sob este mesmo céu de neón e estrelas,
Há alguém também esperando, taça na mão, poema nos lábios.
E quando nos encontrarmos, será como se o universo conspirasse,
Para que duas linhas paralelas finalmente se cruzassem.

 

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